DEPOIMENTOS“I've been a exchange student in Wirtschaftsuniversität Wien (Vienna's Economics University) for the 2006's winter term. This opportunity was part of a partnership between my university in Brazil (Fundação Getúlio Vargas) and some Universities around the world.
“O processo de adaptacao nos EUA – Nova Iorque - foi difícil no começo. Foram várias coisas, mas de forma geral, em São Paulo, eu tinha uma vida super 'protegida': rotina, amigos, conhecer a geografia do lugar, saber onde ir, como ir, ter carro e moto, entender os códigos culturais, ter grana, um certo status social para fazer tantas coisas, saber onde ficam 'the joints', os lugares onde você encontra comida boa e barata, ou onde encontrar a melhor música, ou qualquer outra coisa. Aqui, aprendi a me perder, a me achar, a não ter ninguém para me dizer que direção seguir ou me achar quando a única explicação é: "You got to follow West (in the middle of the night when you have NO IDEA where you are).
“Morar em paises diferentes é uma experiência de vida maravilhosa, expande o mundo e as idéias. Aprender a entender uma outra cultura, aprender a ler entre linhas os códigos sociais é um processo interessante mesmo que às vezes possa se tornar escabroso. Ao final abre a porta de um segredo bem escondido, o sentido comum não é comum a todos, cada gesto, cada palavra pode ter um significado diferente dependendo do entorno, o absurdo pode se tornar normal, típico. Nunca pensei que o Brasil fosse ser tão diferente da Colômbia, nem muito menos que essas diferenças culturais que tanto trabalho me deram, enriqueceriam infinitamente a minha vida. Sinto saudades, mas o Brasil sempre estará comigo, fusionado já em alguns traços da minha personalidade”. Gina Paola Iriarte, colombiana. Foi expatriada no Brasil e morou na França. Responsável Financeiro Projeto da Vidrio Andino - Saint- Gobain
“Morei dos 8 aos 12 anos na França e Estados Unidos, pois meu pai fora transferido pela empresa. Mas desde essa época, apesar de ser uma criança, as diferenças culturais já eram notáveis para mim, principalmente na questão escolar. Eu tinha acabado de sair de um colégio em São Paulo, onde eu chamava as professoras de “tias” e passei a chamá-las de madames e seus sobrenomes na França. Troquei também o lápis preto daqui pela caneta tinteiro de lá. Caneta BIC nem pensar.” “Os aniversários dos colegas eram sempre nos pequenos apartamentos, onde todos estavam bem arrumados. Quando eu finalmente estava bem adaptado, fui para os EUA vivenciar aquelas escolas enormes, onde cada aluno tem seu armário, os ônibus amarelos, a terra dos vídeos games, a informalidade para se vestir, as casas grandes, com quintais verdes enormes e sem cercas. Quando meu pai foi alugar a casa onde moramos por 3 anos e a proprietária soube que era para brasileiros, ela estava esperando índios chegarem, e ficou surpresa ao se deparar com uma família com pessoas “normais”.” “Enfim, muitas das experiências diferentes que vivi quando pequeno moldaram minha personalidade e jeito de ser. Imagino como deve ser diferente, e talvez complicado, para uma criança de outro país se adaptar ao Brasil, com língua e costumes tão singulares, sem sofrer algum trauma.” Nelson Assumpção Neto, brasileiro. Foi filho de expatriado. Morou na França e nos Estados Unidos. Executivo de Contas, Grandes Indústrias Ampla Energia e Serviços S/A
“No primeiro dia de trabalho de uma pessoa no Brasil, a equipe sempre se reúne para um almoço, pois assim a pessoa fica mais integrada e não se sente perdida. No meu primeiro dia de trabalho na Hungria, ninguém falou comigo!”... “os húngaros são bem mais fechados que os brasileiros”. Sâmia Lababde Cury, brasileira atualmente morando na Hungria
"Em duas ocasiões tive a oportunidade de trabalhar no exterior, uma vez na França e outra na Suíça. As diferenças culturais se tornam evidentes quando vivenciamos um ambiente profissional em outro país. No Brasil também cresce a cada ano o número de empresas que possuem um quadro de funcionários composto por diversas nacionalidades. As questões que possuem origem nessas diferenças culturais refletem diretamente na qualidade da comunicação entre os funcionários e, conseqüentemente, influem na performance do profissional e no resultado do trabalho. Antônio Josino Meirelles Neto, brasileiro. Morou na França e Suíça.
“Morei em uma comunidade coletiva, o kibutz em Israel. O conceito nasceu junto com o Estado de Israel e as correntes sionistas, em meados da década de 40, após o término da 2ª Guerra Mundial. É uma realidade completamente diferente. Trata-se de uma comunidade auto-suficiente: o kibutz possui / oferece desde escola para as crianças até pequenas indústrias e agropecuária para empregar os moradores e gerar renda para a manutenção da coletividade. As casas são todas iguais, o refeitório é central, bem como serviços de lavanderia, manutenção e transporte. As pessoas recebem salários simbólicos, mas suficientes para suprir outras necessidades, que não são tratadas pelo bem comum. Voluntários não-judeus são também bem-vindos e passam a ter as mesmas obrigações e direitos dos demais moradores da coletividade. Foi difícil sair do mundo capitalista sem fronteiras para um mundo em que os padrões de consumo e as fronteiras são mais bem determinadas”. “Sair de um estado laico para um estado religioso foi um choque. Entender as fronteiras entre “árabes e judeus” e a convivência entre ambos foi um choque cultural.” “Alguns traços muito próprios do país: 1) A presença de soldados do exército israelense, sempre muito jovens, por toda parte. Isto porque os jovens israelenses fazem serviço militar normalmente durante 3 anos, antes de entrarem na faculdade. O trânsito dos soldados é comum e, inclusive, se olha com bons olhos oferecer carona aos soldados viajantes (que normalmente estão de folga, indo para sua casa); 2) Os limites muito bem estabelecidos entre bairros e locais sagrados para judeus e muçulmanos; 3) E, por ser um Estado Judaico, os dias considerados não-úteis não são o sábado e domingo como nos demais países. Em Israel, os dias não-úteis são determinados conforme o calendário lunar, começando na 6ª feira depois do almoço e terminando no domingo. As crianças vão às escolas no domingo e o comércio fecha 6ª feira depois do almoço para o shabat; 4) A língua (o hebraico) também foi um fator que dificultou a adaptação. Apesar de falar o idioma, ler e entender foi a parte mais difícil.” Tatiana Floh de Araújo, brasileira. Morou em Israel, num kibutz no sul do país.
Nos EUA (Boston) eu morei os dois primeiros anos no campus da faculdade onde fiz amigos (brasileiros e estrangeiros). Houve também orientação da faculdade que ajudou a me adaptar. Na Inglaterra (Londres): Mais difícil. Não foi muito fácil tornar-se amigo das pessoas e os relacionamentos sociais são bem diferentes do que são no Brasil. A cidade é extremamente cosmopolita, com gente do mundo inteiro. EUA: fiquei chocado com o tempo frio em Boston e a facilidade de conseguir crédito. Não existe atendimento para a saúde pública, tem que ter seguro para ter acesso a cuidados médicos. Reino Unido: O tempo feio (chuva, nublado e frio), os apartamentos apertados, velhos e caros. As pessoas não são tão acessíveis. O ambiente de trabalho é bem mais formal. E, em Londres cada pessoa deve pagar TV license (uma taxa para cada aparelho de televisão que tiver em casa). Brasil: Os brasileiros são mais próximos em relacionamento e a mentalidade do “jeitinho brasileiro” não existe nestes países. As pessoas respeitam as regras.” Beni Hess Akstein, Brasileiro/alemão. Morou nos Estados Unidos e Reino Unido e atualmente mora no Brasil.
"No Canadá eu tive a princípio grandes problemas de entender a cultura empresarial, como se comportar com relação à comunicação com meus superiores e com os clientes... " No Canadá as coisas são muito mais informais, porém se espera que as pessoas estejam sempre disponíveis... A frase que eu não esqueço foi a seguinte... "you are expected to work overtime every once in a while..." bem, "once in while" para os canadenses, significa todos os dias!!! Luiz Gustavo França, brasileiro. Atualmente mora na Eslováquia. Já morou no Canadá, Espanha e Reino Unido.
"Quando cheguei ao Brasil senti que tudo que era valorizado no Irã não era aqui. Ser estudioso passou a ser CDF, cortesia com uma mulher era coisa de boiola, e algumas condutas de respeito aos mais velhos que tinha eram vistas como caretas. Toda minha forma de ser e estar no mundo teve que ser reconfigurada. Parecia não me encaixar em nada e perdi a noção dos meus limites e minhas liberdades". Said Rabbani, iraniano. Atualmente mora no Brasil.
“Quando cheguei á Alemanha mal falava o idioma, o que dificultou meu entrosamento com outras pessoas e a vida social como um todo”. “Demorei para entender alguns hábitos do alemão como a extrema pontualidade, tirar os sapatos antes de entrar em casa, a maneira de se vestir, de se expressar e se organizar. Para me adaptar tive que partir do zero, não achar nada estranho e com o tempo ir tornando aqueles novos elementos parte de minha nova cultura”. “Poder entender duas culturas diferentes, palcos de diferentes histórias, tem sido uma experiência fantástica, mas exige um tempo de adaptação”. Paula Larotonda, brasileira. Atualmente morando na Alemanha. |
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